Dançando

Domingo, Novembro 8

Dançamos nas terras de nós mesmos,
quem disse que do outro fizemos moradia?
Moramos nos passos de nossas próprias pernas,
valsando no tempo que a música produz.
E a cada centímetro que passou de uma a outra,
circulamos sobre nosso epicentro,
galgando mais um passo, mais uma única e verdadeira dança...

Wind Up

Domingo, Novembro 1

(baseado em Wind Up - Jethro Tull)
Meu Deus,
porque em minhas preces
enxergo vossa amada presença,
no tudo que.. me necessito.

Não sou do tipo boreal,
se me sigo de amores a vida,
e não me cubro de provações alheias.

Sou do meu amor pleno, meu Deus.
Sou da água que me respeita as manhãs,
e da luz que me permeia e me avisa.

Não sou a criatura que fizestes,
sou algo que não respeita a imagem.
As vezes não acredito nesse existir.

E se, Meu Deus..
tiver de dizer ao mundo o meu,
o que será de mim então?
O que será da minha solidão..

Do tanto que preciso,
ao que agradeço, de fato.
E assim, dos santos regrados..

não sou a melhor das criaturas.

Ele furta minhas forças

Me furta as forças,
como abres minha casa aos domingos,
e rouba todos os meus tesouros.

Furtando cada encher dos pulmões,
minha antiga caixinha de música,
meus dez anos de tanto quanto.

Meus escritos mais queridos,
dos mais longos e restritos,
dos mais singelos e amados.

Me leva tudo que produzo,
reduzo a face de minha normalidade estática.
Sou só descanso do cansado que é viver.

E se por acaso se despede,
é com o acabar de todos meus pertences,
destruídos ao chão de minha varanda.

Dando adeus a tudo que me embala,
dando até logo a próxima investida.

Pratinhos descartáveis

Sexta-feira, Outubro 30

Pratinhos descartáveis?

A comida cai,
a faca rasga,
o garfo fura
e tudo vai embora de qualquer jeito.

Realmente

...nada disso, saliento.
Me deixe em paz,
na paz de me deixar,
é que me encontro realmente.

23:43

Sábado, Outubro 24

Parece estar tudo errado,
tão deslocado.
A dissonância dos passos,
a frigidez de outros fatos.

Requer a tudo um ajuste,
incompreensivo, de fato.
Recluso e conciso, longínquo.

Uma pedra

Uma pedra como esta
preciosa e cintilante
aos olhos tão cheios de vontades.
Infelizmente,
está perdendo seu brilhar,
está perdendo seu mirar,
está se tornando opaca.
Uma pedra, apenas.

Sono

Está chovendo, mas aqui dentro está tão abafado. Posso sentir a carga pesada no ar, o peso de respirar essa massa quente. Depois das onze não abro mais a janela, das frestas é tudo que se refresca. Tenho medo. Já não tenho nove anos e pulo de pontes sem sentido, meus deslizes são mais perigosos e minhas pontes traiçoeiras. Penso em beber água, vou pra cama. Deito e reflito sobre a vida como se fosse minha última chance, impune. Como é difícil pensar nessa densidade. Rejeito os primeiros, decoro os segundos e no terceiro, finalmente durmo. Daí pra frente tudo se acalma. Tudo faz sentido...

Carta do Limiar

Sexta-feira, Outubro 23

Você,
De minha maldade a impunidade; é você meu limiar. Me transpõe em algo que suponho não ser, nem saberia se só. Ainda que possa, se desejo é cada pedaço de meu pensamento e se fracos os vestígios são amontoados... subvertem minha bondade. Será que é verdade? Não há mistério nos meus dizeres, há controversa nos meus fazeres. A tua fala que abrandava meu coração agora se despede, se o costume regenera minhas forças, eis que troco o não pelo que seja. As vezes, você, do gosto mais profundo das minhas recordações, da fala trancosa de meus dias solitários... as vezes você é a parte de mim que rejeito. Essa rejeição com gosto de prazer imediatista, eis que provo formoso e descontente, com a boca cheia de tuas formas. E me engulo de tanta rejeição, sentido a cada destilar o calar desse teu significado ausente.

Ele eu

Quarta-feira, Outubro 21

Ele tem,
o que eu,
o que nós,
nós teremos,
sou sorrir,
dividir..

sorriremos.

Não gosta

Jamile não gosta de quiabo,
não suporta quiabada,
não entende o quê da baba,
traz prazer ao paladar.

Eis cruel.

Eu desminto

Eu a amo como um desejo secreto,
que desminto aos poucos....
porque nascerás de minha conjunção,
e serei plena quando vieres.

Eu desminto o meu amor de mulher,
porque quero poder abraça-lo,
distante sonho de pernas grandes,
me abre os poros e vais embora.

Eu a amo porque é a margem de minha vida,
será o deleite de minha criação maior,
nos braços de quem te ama, pequena...
Serás o mundo de minha feição.

Eu desminto o meu amor de mãe,
não sou mãe nem de mim,
não construi meu castelo conexo,
que pasta nas veredas do meu querer.

Eu a amo porque me escolheu,
e se sou da pequena a escolha, serei.
O grande afago da sua vida inteira.

Eu desminto tudo ao passo das minhas expressões,
onde fala a boca e desmente o olhar,
nada posso, mas penso em verso sim,
em poder realizar.

Sem sequer

Terça-feira, Outubro 20

Se te olho e não te vejo, que maldade desses dias.
Na docilidade de meu olhar as peças que preguei no teu nome.
Cada vez que proponho um avesso, não enxergo sequer solução..
é mais fácil e prazeroso ver-te em nome agudo, do que não.
E congruentes segues em nome que soletro devagar,
que nos dias corrompidos são alento, e esperar.
Talvez porque nem saiba, nem tente sequer...
não me encho de prazeres, sem sequer estar lá.

Pão de açucar ao chão

Temei com o pão de açúcar na boca, espalhei tudo no chão. Cada cristal de minha saliva, a gravidade da sujeira. Sou descuidada mesmo, não reclamo não. Meu transtorno é o linear, me figuro no não. E se caiu no chão de formigas, deixem elas e seu banquete. É tão pouco do que me tenho, do que me tem? Nada me tem. Além do meu coração.

Escrito numa nota fiscal

A quem me referia,
quando falei,
se é que existe
pintura de ser algum.

A quem me conduzia,
dizia não.
Da longa doçura do talvez,
do desprazer do em vão.

A quem reclamei,
se criei, descuidei...
agora de minha solidão?

Maria Eduarda

SAIU DOS LARGOS BRAÇOS
EIS A PLENITUDE!
VOOU NO CHÃO DE GIZ,
ENCHEU OS OLHOS E O CORAÇÃO DE SEUS PAIS
TRÊS PASSOS E O MARCAR DE UMA VIDA INTEIRA...


VOCÊ ANDOU PELA PRIMEIRA VEZ!

O porre

Sábado, Outubro 17

Tomei um pouco, que porre.
Se bebo mais, eu compreendo,
entendo.

Aturar,
se o porre é o durante,
mas prefiro no depois,
me embriagar.

No vagão

não sei não
se esse vagão.
me segura.

desastroso como ele,
populoso assim,
e eu aqui?

minha fuga é assim,
ou eu pulo do vagão
ou ele me joga, nos trilhos....

O amor dos brutos




Tomou as mãos o frango e o arroz e enfiou tudo na boca sem qualquer parcimonia. De lá emergiam restos e grunhidos, gritos dos pobres engolidos e sacrificados. Mastigava pouco e engolia tudo tão rápido que as bocadas desvencilhavam mesas de jantar inteirinhas. As unhas cheias de carne, nos dedos a gordura do assado a criar uma película de um bordô dourado. Seus braços gordos e peludos se esticavam de forçoso para o rebobinar da situação, entretidamente consumida em si por algumas longas passagens. Nada cercara seus olhos, além do manjar de seu prazer. Nada lhe despertava o mesmo, comer era sua sina. Mas a língua não sentia nada, os dentes tão pouco... a garganta é só passagem para o que o estômago destrói. Quem sentia o que de prazer? Além da vontade de se consumir o quanto antes possível....

Distâncias

Terça-feira, Outubro 13

Essas distâncias
mãos unidas
de colos separados,
esses meios,
esses dias, separados.
esses ãos de todos,
essas saudades.
Essas distâncias,
corroídas pelos dias,
distâncias leves,
escondidas em bases..
esses nossos olhares,
esses olhares perdidos,
essas distâncias arraigadas..
esses finais de nós mesmos.

A desconstrução do oportunismo

Terça-feira, Outubro 6

Muitos podem dizer que a trajetória de quem observa o mundo de forma analítica é sinal de egoísmo e pedantismo circense. Até onde se compreende, o pejorativo impera no comum conhecimento dos adjetivos, dilacerando o âmago de seu entendimento. Oportunista eu? Assim que escrevo a outros que sim, concebo a mim a capa escura do desconfiar.

Se posso pensar um pouco mais e lembrar onde parte a palavra oportunismo, posso seguir tranquilamente em sua raiz esclarecedora; oportunidade. E o que é oportunidade, se não a esfera da vida que buscamos todo o tempo? Aquilo que separa os sonhadores dos realizadores, ou que unta esses dois artistas do pensamento humano. Pois o sonhador cria possibilidades em seu querer mais íntimo, e o realizador nada mais que abraça as suas possibilidades. Mas que sonhador por si só concebe qualquer oportunidade? Também nenhum realizador que consagre o que não cultiva. Existe uma interdependência em conceber e produzir, que faz da oportunidade o ideal.

Ser oportunista então é presumir que existe uma possibilidade valorosa e ater-se em utilizar de meios para conquistá-la. E o que designa se o desenvolver é bom ou ruim, são justamente os meios de conquista. Que determinam e sucumbem – muitas vezes – o sentido das palavras mal utilizadas e interpretadas. Sou oportunista porque sou egoísta, não. Sou oportunista porque sou individualista. Porque assumo o que almejo e afirmo meu querer em minha ação.

Se desconstruídas as tantas faces da ignorância, a compreensão tomaria posto. Cada possibilidade traria uma nova luta incessante para o melhor de cada um. O mérito, tão esperado e brilhoso aos olhos, seria a conquista cuidadosa e merecida de seus esforços maiores. Trazendo não só a imensa ruptura com a mesmice, mas construindo possibilidades de enxergar um mundo de oportunidades, sempre renovadas.

Assumo

Segunda-feira, Outubro 5

Mentiroso
é meu coração.

Ele mente,
enganador.

Meu coração é
um farsante.

Ele mente,
e eu assumo.

Ilha

Passei pelo mundo,
onde foi que parei?
Me fixei, fiquei
em que dorso me embalsamei?
Quem foi que amei?
Que foi que amei,
e se fui,
se adociquei,
e me criei.
Se perdi, perdida.
Achada de ninguém,
de nada me juntei.
De nada nem ninguém.
Se sou pátria amada,
não sou nação de mim,
sou paralelo do guiar.
Bandeira alguma.
É de muito,
isso mesmo
um vazio de achar,
o palpável do sentir,
não dá pra segurar.

Quando
Quando sei que é a hora,
me despeço em pouco olhar,
me desfaço de tudo aquilo,
me tenho, me guio.. vou calar.
Quando sei que posso,
é ensejo pro falar,
de calar não me abasteço,
posso lhe contar?
Quando é pra me dizer,
quando é pra me calar,
eu sei que vai e vai bem logo,
tudo isso, acabar.

A tua boca

Sexta-feira, Outubro 2

Você sabe,
ahhh
como sabe...

como espero,
almejo
contemplo,
esqueço
de tudo,
para ver
a tua boca.

E se não visse,
ah se não a notasse as vistas,
seria enfim,
que pois, meu querido..

de olhos fechados,
e peito aberto,
a sentiria.


(espero)

As Minhas coisas

Quinta-feira, Outubro 1

Toda minha roupa suja, ficou no cesto. Num cesto que não gosto de olhar, não gosto de ver que a roupa manchada fica no desuso da rua. Do amontoado de seu mal cheiro em minhas narinas, ardem em tamanhos desproporcionais, queimam no sentido do meu uso passado. As velhas meias encardidas, são as que mais me doem, um par de meias que me levaram com conforto a lugares nunca antes, nunca antes nada de meu conhecimento. Mas agora? Só um par de meias antigas, encardidas e furadas, da torcida que fazia parte de sua duração, só me sobrou as marcas dos dedos nas extremidades. O que de novo o guarda-roupas concebe, do pendurar dos cabides estão os casacos e as roupas passadas, passadas de lisas, de rentes ao fio da meada. Das dobraduras as calças, o uso do dia a dia onde me visto de uma aliança vistosa. Nas gavetas as roupas íntimas que se escondem sobre todo o enlace de fita. Os brincos amontoados em uma caixinha disforme, perdidos todos eles em si mesmos. Os lenços e cachecóis ficam amarrados, juntos, conexos. Esperando que algum dia os resgate novamente. Os sapatos perdidos pelo quarto, uns que se ajustam, outros que falham, muitos que só vejo. No pratico, o brilhoso pecou por magnitude, pelos meus pés desacostumados.
E se me esqueci de alguma coisa? Ah se me esqueci de tudo que me adorna. Tudo se foi num bonito saltar, tudo que é meu voou até se tornar distância, até se tornar estranho, um estranho vinculo de tudo que me constroi.

Para mim

Terça-feira, Setembro 29

Se me provasse,
imagine a sandice
de cair em mim?

beijaria o doce,
o olhar mais bonito
ao sorrir pra mim.

se caísse em meus lábios,
seria dos bens, os amados..
doces sonhos de jasmins.

repartiria meus perfeitos,
meus mais que imperfeitos,
salivar de tentação.

ousaria até ter medo,
dessa calma em esconderijo,
desse ar de ilusão.

tomaria num abraço,
tornaria meu azul,
minha eterna aparição...

...se caísse, ai de mim
seria menino de asas, cera..
ao derreter em partir..

ao partir sem mim,
sem eu, sem nada em mãos.

Meu carinho

Meu carinho,
ahhhh meu carinho..
confundido,
jogado,
inesperado,
retido,
inanimado,
esquecido,
desacordado.
Meu carinho maltratado,
meu universo desconhecido.
Ai de todos nós.

Se te amo.

Se disser que te amo,
você acredita?

com a boca que te amo,
eu te amo com meus braços,
te amo em meus abraços..
te amo em solidão.

não te amo assim, de longe
te amo de frente, esquisita
te amo sinceramente,
amo loucamente, te amo.

eu te amo em desterro,
em desaviso das bocas,
interrompidas pelo desconhecer,
pelo sem saber, verter no impossível.

eu te amo em cada pedaço meu,
em cada fúria minha, sims, te amo.
Eu te amo com cada sílaba de minha língua,
a sair do ângulo de minha paixão.

eu te amo em certa conjunção,
e até no caos que te amo,
nessa minha solidão.

Dear Moonchild

Segunda-feira, Setembro 28

Dear Moonchild



Eis o preço, a ruptura
calabouço de si.
constante, dançante
devolução do emergir,
que pulsa a divergir,
meus assuntos todos vis...

pois limites, impôs um eis..
vestes de meus olhos,
acerto de meus poros,
compulsória solidão.

Pois me vale, me requer
me remete a cada dia,
um lembrar suntuoso,
um cobrar maldoso,
de ser como ser, sentir.

fez do feito ardoso,
meu maldar, penoso..
desse meu colidir.

Mon amour,

Terça-feira, Setembro 22

Mon Amour,

Já tenho tudo aqui,
tua boca e tua mentira,
teu avesso e minha solidão.

Que contradição a minha,
saber dessa forma intrínseca
e titubear meus pequenos sorrisos.
As falas da tua mão.

E já sei na tua fala,
e o teu amor por mim exalta,
no meu ouvido mentiroso,
não fala de amor algum.

Eu e minha boca grande.
Se existe alguém
alguém nesse mundo
que contorna seu próprio mistério
em habitual mordomia,
sou eu e minha boca,
eu e minha boca grande.
Um livro tendencioso,
a dizer-te o final,
contrariar todo progresso,
sustar qualquer curiosidade.
Eis reflexo,
eu e minha boca grande...

Já não escrevo como antes

Já não escrevo como antes,
já não suspiro alegremente,
se vivo de paixões pulsantes,
de meros viajantes, tolos.
E rupturas ao bel prazer.



Já não escrevo como antes,
antes era, antes fui...
me sentia viva, esperada,
consoante de meus prazeres,
mas fugida de todos eles...



Já não escrevo como antes,
e sou escrava da dúvida,
escrava de meu sentir,
que me aponta como errante...


porque não escrevi?

Sexta-feira, Setembro 18

Cães

Se pudesse,
abraçar toda a afeição,
resgatar toda lealdade,
resumir os inquietos,
desvendar os amenos,
correr com os pequeninos,
sorrir com os grandes.
Eu o faria.

Alberto Rosas II

Essa moça um dia me disse;

"Vou, mas volto para o seu coração"

E aqui esperando, jaz um homem fétido,
aqui, coração petrificado pelo tempo,
espectro de vida que fincou-se em lembranças.
Resiste, todo resto que não seja o amor que concebi.

Onde?!

Nos lares, escadas, visitas e recados,
nos reinos, plantações, feiras e atrasos..
nas ruas, na lua, ventre e peito amado.
No sul, planos, assuntos e comidas,
nos ares, açucares, amigos e destrezas,
nas portas, feixes e repartições..
nas canetas, bolsas, artigos e felicitações...

Onde foi que me escondi?

Inquietação

Será que parei de pedir direito?
Não estou sabendo terminar a frase,
começar a inquietação ou galgar
um permeio divino?

Será que desisti, de pedir?
Apesar do forçoso exprimir dessa inquietação.

De volta

De volta a minha velha falha,
insistente estado, precário.
Reproduzindo Verões passados,
arqueando nenhuma solução.


Haja falta de destreza...

Meu chão de asa delta

Domingo, Setembro 13

Meu chão de asa delta,
perigoso construtor,
assunte ao ludibriar,
eis parceiro enfim.

Na dureza do chão,
a firmeza de cair,
verter no estilhaço,
partir em mil pedaços...

Erguer um olhar,
pra cima, pensar...
eis que do chão
ali naquele mesmo lugar...

olhar.... olhar....

Nunca

Posso um dia dizer que talvez consiga me redimir.
Eu nunca disse que poderia no agora, nunca.
Nunca fui de me dizer a mudança brusca.
Nunca.

Quanto tempo

Sexta-feira, Setembro 11

Meus dias se foram e não sei mais,
quanto tempo faz,
quanto tempo faz.

Que me preocupo com você.

Renovadas as forças.

Terça-feira, Setembro 8


Renovadas as forças,
os punhos abertos,
da fala mais calma.

Pois que ironia,
força de se reintegrar,
força de reinventar?


É fortalecimento.

Alberto Rosas

Sexta-feira, Setembro 4

Já tive paixões de me cortarem as vistas.
Cedia ao nome do bendito ser que gostara.
Falava com dúbia vontade, mesmo austera..
reproduzindo o mesmo nas páginas dos dias.

Tecia um fio de carinho desavisado,
enchia o peito de vento, amor dos ingênuos.
Beijava aquela boca de tão longe,
que o gosto demorava a esquecer-me.
De nem lembrado, inútil beijo.

Já tive paixões de tantas...

Não sou eu

Quando se percebe
o mérito do invisível,
não se cubra de raiva vã,
não se ostente de orgulho,
nem ego é o bastante.
Se lembre do amor,
e amor por si só...

Catamarã

Há um dia de ser só saudade,
essa inquietude de Catamarã.
Não sei até que ponto,
se minhas vírgulas me abandonaram.

Já sinto o gosto do pesado,
esquecendo tudo que produzi,
me levando pedaço em pedaço.

Primeiridade

Domingo, Agosto 30

Peguei o meu amor de onde jamais houvera, sentei no chão e comecei a desvenda-lo. Onde sequer pensei que pudesse, fui. Percebi a sua forma delicada, seu imprevisto azul e a maciez de sua sonoridade. Meu amor indizível, de circundar os dias de pequenas vistas. Meu amor perdido, em meus braços murchos e cansados...
sentada lá, erguida de tanta primeiridade... é sempre a ultima primeira vez.

Eis

Eis que arriscam,
todos os pontos,
nas dúvidas menores,
no arco do em frente.

Reluz do pranto,
a condição humana.


Eis que arriscam,
todos eles, vivos.
perdidos em si mesmos,
distintos de todo o resto.

E sobrevivem.

Impossível

Quinta-feira, Agosto 27

Mais uma vez, sentada.
Olhando para aquelas escadas,
tão vazias de você.

Esperando o impossível,
o improvável...
de se acontecer.

Nota arraigada de descontentamento

Segunda-feira, Agosto 24

O que estou perdendo.



Hoje estava lendo sobre dois expoentes brasileiros da comunicação. Talvez possa chama-los assim porque souberam utilizar de suas habilidades, de um momento propício e de uma cara de pau estonteante. Por quê? Pergunto incessantemente. Nessa era de tanta informação e com uma maior facilidade de chegar ao conhecimento, porque não existem praticas e endossos ao mesmo?
Poderia dizer que o caminho onde se trilha a profissão e o reconhecimento é árduo, mas, poderia dizer também que simplesmente nos falta disciplina. Ser disciplinado é compreender as arduras de se ter paciência, de produzir pensamento baseado em experimento, de se experimentar usando do mundo.
Ser jovem as vezes é produzir instantâneidade, tudo sou e de tudo apareço. Aparento? Não digo que acho e nem dispenso o que pensam. Só me produzo as vezes num descontentamento imenso, queria dessa instantâneidade me cobrir de novidades. Ser, estar e reconhecer. Mas quê? As portas estão todas abertas, qual delas adentrar? Me perco numa gama de novidades incríveis, e a maior delas é que o mundo só ama quem ama todo mundo.
Até que ponto se pode esperar para brilhar? Ou descobrir que brilhar é necessário a vida, que produzir é construtivo, viver e sonhar é um balbuciar de novas tendências. No sonho me pratico como bem sou, e se sou aqui fora onde me pratico, porque não transpor meus sonhos?
Perder tempo no afável, no medíocre. Quanta coisa jogada fora, quanto tempo desperdiçado. Meu mundo se perdeu na comodidade de minha cara. E a cerca de minhas vísceras me faço em plena insatisfação. Reclamante do provável, formadora de atividade alguma. Que pulso pulsa se o sangue não corre? O caminho da vida se estende nas linhas do corpo, fluindo na magnitude de seu coração. Meu coração quer derramar em meus dias todas essas vontades. Descobrir a vantagem de existir nos planos de hoje, e retomar toda a função de uma outra vida. Que chama.

Minha tristeza.

Sábado, Agosto 22

Estou tão triste,
que minha tristeza,
não quer nem falar.

Ela está quietinha,
no cantinho dela,
com o nariz vermelho.

Só esperando pra derramar...